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Os Maiores Cavaleiros do Mundo

Ordens Militares e Religiosas

Os Maiores Cavaleiros do Mundo

 Não fora, poucas as Ordens que surgiram sobre tudo, no período conhecido na história como Cruzadas. Os mais famosos sem dúvidas, foram os Templários e muitas mais se espelharam nestes, da quais a que mais se destacou foram a dos Hopitalários, chamados assim porque cuidavam do Hospital de São João Batista de Jeruzalém, destinado aos peregrinos. Assim como seus irmãos Templários, eram incansáveis combatentes. Após a queda de Acre, por exemplo, reorganizaram sua base em Rodes, de onde continuaram a atormentar os mulçumanos até 1522, quando finalmente foram expulsos. Mudaram para Malta e continuaram a luta sob o nome de Cavaleiros de Malta, que usam até os dias de hoje, embora não sejam mais uma ordem militar. É o caso de outra ordem famosa, a dos Cavaleiros Teutões ou Teutônicos, fundada por alemães no fim do século XII, era a terceira força atrás dos Templários e dos Hospitalários. Combateu durante séculos os pagãos eslavos na Polônia. As ordens de monges guerreiros também foram incentivadas na Espanha, onde os cristãos combatiam os mouros desde o século VIII. Lá surgiram ordens prestigiosas, como as de Santiago, Montesa e a de Calatrava. Há também várias ordens obscuras, como a Ordem dos Cavaleiros de São Lázaro, que originalmente criada para cuidar dos leprosos. Militarmente inexpressiva, a Ordem tinha uma peculiaridade: contava, entre seus integrantes, com Cavaleiros leprosos oriundos de outras ordens.

Ainda que possam serem lidas como uma lenda Arturiana, estas histórias não são fantasias, são verídicas e fazem parte da história.

 

Ordem dos Hospitalários (Malta)

Ordem dos Hospitalários (Malta)

Ordem dos Hospitalários (Malta)

 

 O nascimento da ordem data por volta do ano de 1050. De acordo com os crônicos, os comerciantes da antiga República Marinha de Amalfi obtiveram do Califa de Egito a autorização de construir uma igreja, um convento e um hospital em Jerusalem, para assistir os peregrinos de qualquer fé ou raça. A Ordem de São João de Jerusalem - comunidade monástica que funcionou o hospital para os peregrinos na Terra Santa - tornou-se independente sob a orientação do Beato Gérard. Com a Bula de 15 de fevereiro de 1113, o Papa Paschual II aprovou a fundação do hospital e colocou sob o tutela da Santa Sé, concedendo-lhe o direito de eleger livremente seus superiores sem nenhuma interferência por outras autoridades seculares ou religiosas. Em virtude daquela Bula papal, o hospital transformou-se numa Ordem isenta da igreja.

Cavaleiro HospitalárioA constituição do Reino de Jerusalém, por obra dos Cruzados, obrigou a Ordem a participar na defesa militar dos doentes, dos peregrinos e dos territórios que os cruzados tinham conquistado dos muçulmanos. A ordem tornou-se assim religiosa e militar. Todos os cavaleiros eram religiosos, limitados pelos três votos monásticos da pobreza, castidade e obediência.

Com o tempo a ordem adotou a cruz octagonal branca que é ainda hoje um símbolo São Juanista, e a sua missão de defender a cristandade.

 Depois da perda do último baluarte na Terra Santa em 1291, a ordem se estabeleceu primeiramente em Chipre e então, em 1310, conduzido pelo Grão Mestre Fra ' Foulques de Villaret, à ilha de Rhodes.

Desse momento passou a defesa do mundo cristão, o qual requereu a organização de uma força naval. Assim a ordem construiu uma poderosa frota naval no Mediterraneo oriental, lutando muitas batalhas famosas pela causa do Cristianismo, como por exemplo, as das Crusadas na Siria e no Egito.

A independência da nação reconhecida pela ação de decretos pontifícios junto do direito universal reconhecido de organizar e manter forças armadas, constitui a base da soberania da Ordem.

Os membros da Ordem que vieram para Rhodes de todas as partes da Europa e as instituições da ordem na Europa foram agrupados de acordo com as línguas faladas. Havia assim, inicialmente, sete grupos de Línguas distintas: Provença, Auvergne, França, Italia, Aragão (Navarra), Inglaterra (com Escórcia e Irlanda) e Alemanha. Em Castela 1492 e em Portugal se separaram da lingua de Aragão para constituir a oitava linguagem. Cada Languegem incluiu os Prioratos ou os Grandes Prioratos, bailiwicks e Commanderies.

A Ordem foi governada pelo Grão Mestre (Príncipe de Rhodes) e pelo Conselho Magistral tendo o seu próprio dinheiro e manteve relações diplomáticas com outros estados. Os escritórios elevados da Ordem foram dados aos representantes de Linguagens diferentes; e a Sede da Ordem é integrada por religiosos de diversas nacionalidades.

Após seis meses de assédio e de combates ferozes de encontro à frota e ao exército do Sultão Salomão o magnífico, os cavaleiros foram forçados a render-se em 1523. Deixaram Rhodes com as honras militares.

A Ordem remanesceu sem um território próprio até 1530, quando o Grão Mestre Fra' Philippe de Villiers de l'Isle Adam tomou posse da Ilha de Malta, um presente do Imperador Carlos V com a aprovação do Papa Clemente VII.

Estabeleceu-se que a Ordem deveria permanecer neutra em todas as guerras entre nações cristãs.

Em 1565 os cavaleiros, conduzidos pelo Grão Mestre Fra' Jean de la Vallette (este deu nome a capital de Malta, Valletta), defendeu a ilha do ataque e do grande assédio dos Tucos durante mais de três meses.

 1571 - A batalha de Lepanto

A frota da Ordem, então uma das mais poderosas no mediterrâneo, contribuiu para a destruição final do poder naval do Império Otomano na batalha de Lepanto em 1571.

 1798 - O exilio

Dois séculos mais tarde, em 1798, Napoleão Bonaparte ocupou a ilha durante sua campanha do Egito. Os cavaleiros, por causa da regra da Ordem que os proibia de levantar armas de encontro a outros cristãos, foram forçados a sair de Malta. Em 1800 os ingleses ocuparam Malta, porém não foram reconhecidos os direitos de soberania da Ordem sobre Malta e somente com o tratado de Amiens (1802), ficou firmado que a Ordem jamais poderia retornar.

 1834 - Roma

Em seguida temporariamente residindo em Messina, em Catania e em Ferrara, em 1834 a Ordem estabeleceu-se em Roma, onde possuiu o palácio de Malta dentro através de Condotti 68 e da Villa Aventino, ambos que têm o status do extraterritorialidade.

 Século XX e XXI

Desde então, a missão original de assistência hospitalar transformou-se na principal atividade da Ordem, e cresceu mais forte durante todo o último século, especialmente por causa da contribuição das atividades realizadas pelo Grão Prioratos e pelas associações nacionais presentes nos vários países do mundo.

O atividade hospitalária e caritativa se desenrrolou em grande escala durante a Primeira e Segunda grande guerra mundial sob a chefia do Grão Mestre Frey Ludovico Chigi della Rovere Albani e se intencificou ainda mais com o Grão Mestre Frei Angelo de Mojana di Cologna (1962-1988) cujo sucessor é o atual Príncipe e Grão Mestre Frei Andrew Bertie.

Para conhecer as atuais atividade médicas e humanitárias da Ordem clique aqui.

 

 

Insígnia dos Cavaleiros Templários

Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (Templários)

Insígnia dos Cavaleiros Templários

 

 Descrição sobre a Ordem dos Cavaleiros Templários

Por Fr+ Horacio Amadeo Della Torre

 

A ORDEM do TEMPLO, como se a conhece agora, ou ORDEM DOS POBRES CAVALEIROS DE CRISTO E DO TEMPLO DE SALOMÃO, é devida ao insigne cisterciense (São) Bernardo de Clairvaux (Claraval). Diremos que foi também Bernardo quem impulsionou o culto à Virgem Maria no Cristianismo, e a expressão "Nossa Senhora", à imagem da Cavalaria. A genialidade ou "iniciação" de São Bernardo foi explicada desde ângulos muito diversos, desde que era fruto de uma formação druida até que havia bebido três gotas de leite da própria Virgem, imagem representada pelo pintor Alonso Cano, hoje no Prado de Madrid [1].

Os nove cavaleiros iniciais (Hugo de Payens, Godofredo de Saint-Omer, Godofredo Bisol,Cavaleiros Templários Payén de Montdidier, Archembaud de Saint Aignant, Andrés de Montbard, Gondemar, Hugo de Champagne e Jacques de Rossal), de origem francesa, se trasladaram a Jerusalém (1118) com a missão de cuidar dos caminhos para os peregrinos e protegê-los de assaltantes. O Rei Balduíno II pouco depois lhes entregou como alojamento uma parte do que fora o Templo de Salomão, dai que se os conhecera como CAVALEIROS TEMPLÁRIOS. Frente ao Patriarca Teocleto 66° sucessor da linha de São João cumpriram com os três votos monacais: obediência, pobreza e castidade. É possível que de forma oculta hajam tratado de encontrar tesouros sagrados no Templo em que se alojavam.

Nove anos depois (continuavam sendo nove), Bernardo consegue que se convoque um Concílio (Troyes) no qual a Ordem é reconhecida a toda administração da Igreja. Se a exime de toda dependência, com exceção da Papal.

O próprio Bernardo elabora suas regras. Adquirem o manto branco de Císter e uns anos depois se lhes autoriza a exibir a cruz vermelha de oito pontas sobre o lado esquerdo de seu manto, que logo os caracterizará. Transformados em monges guerreiros, a partir desse instante se lhes incluem na guerra contra os muçulmanos tanto em Terra Santa como na Espanha. Suas campanhas militares são heróicas. Sete de seus vinte e dois Grandes Mestres (32%) morrem no campo de batalha. Ademais sua presença no Oriente Médio lhes permite porem-se em contacto com outras culturas especialmente a islâmica e a judia, que sem dúvida incorporam. Na Espanha também lutam contra o Islã.

Cavaleiro TemplárioParalelamente, seu crescimento econômico resulta impressionante, generalização da letra de cambio transformando-se nos grandes banqueiros da Idade Média. Ao final do século XIII seu capital era equivalente a uns dois milhões e meio de libras esterlinas atuais, superior ao de qualquer estado europeu desses dias [2] o que mais tarde contribuirá para a sua ruína. 

Transformam a construção românica em gótica, intervêm direta ou indiretamente na edificação de aproximadamente 70 catedrais para o que protegem artesãos, armam sua própria frota de mar e possibilitam e abrem todo tipo de rotas ao comercio.

Depois da queda de São João de Acre (1291), se retiram a Chipre e dali, por chamado de Felipe "O Belo", seu (último) Grão Mestre se desloca com todas as riquezas a Paris.

Na madrugada da sexta feira, 13 de outubro de 1307, os templários da França são detidos por ordem de Felipe "O Belo", que encontra em Nogaret o personagem ideal para impulsionar uma trama bastarda e acusá-los dos crimes mais infames. Os templários são encarcerados e as mentirosas confissões arrancadas mediante compra ou tortura. O objetivo é claro: ficar com seus bens. O Papa, Clemente Vº, um homem de débil caráter, faz frágil resistência, finalmente cede. Jaques de Molay é queimado em 18 de março de 1314. Em 1314 o Papa dissolve a Ordem por disposição pessoal ante a impossibilidade de que um Concílio o respalde.

O lema da Ordem que chegou a nos é o primeiro versículo do Salmo 115:

Non Nobis Domine, Non Nobis, Sed Nomine Tuo Da Gloriam

(Não a nos Senhor, não a nos, Seja toda a gloria em Teu Nome)

Apesar de sua aparente desaparição muitos templários foram recebidos por outras ordens monástico-militares (algumas delas expressamente criadas a tal fim), alguns se ocultaram e outros provavelmente fugiram por mar, pois, não há notícias alguma que naquela madrugada fatídica de sexta feira 13, Felipe tenha podido apossar-se de barco algum da tremenda frota que pertenceria ao Templo. 

Durante sua prisão, Fr+ Jaques de Molay entregou o Grão Mestrado a Johannes Marcus Larmenius, quem ocultará a Ordem. Sucederão-se 24 Grandes Mestres, até que Fr+ Frabré Cardoal (também chamado Palaprat) obterá de Napoleão Bonaparte o reconhecimento da Ordem, renomeando-a como Ordem Soberana e Militar do Templo de Jerusalém, em 1804. 

Durante a segunda grande guerra, os arquivos da Ordem são entregues a Fr+ Sousa Fontes, que não os devolve e se auto coroa Grão Mestre, nomeando herdeiro a seu filho, o qual não é aceito internacionalmente. 

Desde metade do S. XX se vive um largo período de acefalia, onde cada Priorado se dirige de forma autônoma. Em 1988 se funda a Aliança Federativa Internacional de Priorados (A.F.I.), com o objetivo de conseguir a Unidade templária. Em 1997 se providenciam as eleições de um Mestre e 8 membros do Conselho Magistral. Uma auditoria externa à Ordem se encarrega do assunto. Em 1999 foi eleito Fr+ Fernando de Toro-Garland.

Em 13 de Setembro de 2001 se encontra no Arquivo Secreto do Vaticano, Ata Original do Processo dos Templários, firmada de punho e letra do Papa Clemente V°, na qual absolve de toda heresia e apostasia a Ordem, a Molay e aos Altos dignitários do Templo. Tal documento permaneceu em segredo durante o processo pelas ameaças de Felipe "O Belo", que a França se separaria da Igreja Católica.

Em 22 de Março de 2002 A Ordem do Templo, (O.S.M.T.J.) foi oficialmente recebida pelo Vaticano, pela primeira vez desde os tristes acontecimentos de 1307, quer dizer, desde nada menos que 695 anos. À cerimônia compareceram o Mestre Fr+ Fernando de Toro-Garland, acompanhado de nove irmãos templários.

De uma ou outra forma, que são motivos de profundos estudos, os templários perduram ate hoje em dia.

Pela Graça de Deus. 

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[1] . Esta tradição pode ser tomada assim literalmente, ou ser interpretada desde um ponto de vista alquímico. No vocabulário hermético dos alquimistas, o "leite da Virgem" designa a água mercurial, base indispensável para a obtenção e fabricação da pedra filosofal. Assim o famoso alquimista Basile Valentín, dirá "Quando a pedra está feita e preparada com o verdadeiro leite da Virgem, toma uma parte dela e se obtém puro e excelente ouro. Sob esta nova óptica podemos interpretar que o grande Santo havia feito ao menos a excelsa preparação interior do alquimista que lhe havia permitido lograr transformar sua essência no mais nobre dos metais, o ouro, entendendo-se tudo isto em um sentido espiritual.

[2] C.W. Leadbeater. Antiguos ritos místicos. Abraxas, 1999, Barcelona, pág. 253. 

São Bernardo de Clairvaux

 "Um Cavaleiro de Cristo é um cruzado permanentemente empenhado em um duplo combate: contra a carne e o sangue, contra as potências espirituais do céu. Avança sem temor, alerta à esquerda e à direita, com a cota de malha sobre o peito e a alma armada com a fé. Com essas duas defesas não teme nem homem nem demônios. Avança com passo firme , cavaleiros, e obriga a fugir aos inimigos da cruz de Cristo: certamente, nem a morte nem a vida os separarão de sua caridade...! Glorioso é vosso retorno vitorioso do combate, feliz vossa morte de mártires na luta!..."

De laudae novae militiae, São Bernardo de Clairvaux

 

 A ORDEM DO TEMPLO OSMTHU É RECEBIDA OFICIALMENTE PELO VATICANO

A historiadora, Dra. Bárbara Frale, encontrou preciosos documentos em 13 de setembro de 2001, no Arquivo Secreto do Vaticano (Pergaminho de Chinon- documento que absolve a Ordem do Templo). À época (ano 2002) deu uma conferência privada para o então Mestre da Ordem do Templo, Fr+Fernando de Toro-Garland, junto a quatro membros do Conselho Magistral e outros cinco Oficiais templários. Explicou alguns aspectos pouco conhecidos sobre o Processo do Templo de 1307-1312 e o que dizia a documentação encontrada. Posteriormente, realizou uma reunião com o Prefeito do Arquivo Secreto do Vaticano, P. Sérgio Pagano, o qual mostrou a Ata original da Absolvição firmada de punho e letra pelo Papa Clemente V, na qual absolvia de toda heresia a Ordem, a Molay e aos outros altos dignatários do Templo, prisioneiros no verão de 1308 em Chinon.

O documento em questão troca a interpretação dos feitos processuais e da história do Templo. É sem dúvida um novo ponto de partida para o presente e futuro da Ordem que perdura até nossos dias, ela nunca cessou, continua VIVA.

Pergaminho de Chinon

 Documento encontrado: Pergaminho de Chinon é  apresentado para:

De esquerda para direita: Fr+ Horacio Amadeo Della Torre, Preceptor Internacional de la Orden y Prior General de Argentina; Fr+ Rosario Tomarchio, Bailío de Sicilia; P. Sergio Pagano, Prefetto del Archivo Secreto Vaticano; Fr+ Fernando de Toro-Garland, Maestre Internacional de la Orden; Dra. Bárbara Frale (quem descobriu os documentos), Fr+ Antonio Paris, Senescal Internacional de la Orden y Prior General de Italia y Fr+ José Antonio Cabrera Díaz, Prior General de España.

 

 

 

 Ordem de São Miguel da Ala

Ordem de São Miguel da Ala

Ordem de São Miguel da Ala

 

Por Carlos Evaristo

Vice-Chanceler

A Real Irmandade da Ordem de São Miguel da Ala é uma Associação de fiéis Católicos, herdeira das tradições e símbolos da antiga Ordem de Cavalaria Portuguesa dedicada a São Arcanjo São MiguelMiguel e fundada, segundo a tradição, pelo primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, depois da tomada de Santarém aos Mouros, em Festa de São Miguel do Monte Gargano, 8 de Maio de 1147.D. Afonso Henriques (1º Rei de Portugal)

Não se pode precisar ao certo a data da fundação da Ordem como tal, sendo essa um tanto obscura e lendária.  No entanto, segundo alguns historiadores, terá sido depois de um "Milagre ou Aparição de São Miguel", na tomada de Santarém aos Mouros, que D. Afonso I, para comemorar e perpetuar a história desse milagre, fundou a Ordem Equestre e Militar da Ala de São Miguel, mais conhecida por Ordem de São Miguel da Ala, a mais antiga das ordens de origem portuguesa.

Uma prova, apontada muitas vezes para justificar esta história da origem da Ordem, é uma antigüíssima imagem em pedra esculpida que existia na muralha de Santarém e que retrata o primeiro Rei Português.

A imagem que se encontra hoje em Lisboa, no Museu da Associação de Arqueólogos situado nas ruínas do Convento do Carmo, acredita-se ser a única contemporânea do fundador da nação.  Na sua base ainda se pode ler: " El Rei D. Afonso Henriques, que esta vila (Santarém) tomou aos Mouros em dia de São Miguel, 8 de Maio de 1147".

A Crónica de Cister de Frei Bernardo de Britto (1597 -1602) refere como facto no Capitulo XVIII que a "Ordem de São Miguel da Ala” ou "Asa” foi instituída em 1171 por D. Afonso Henriques e os seus cavaleiros observavam a "Regra de São Bento" sendo uma das ordens militares de cavalaria sufragâneas da Ordem de Cister de Santa Maria de Alcobaça designado por Prelado.  Por ter sido a Ordem de Cister a publicar, em 1630, a primeira Constituição conhecida da Ordem de São Miguel da Ala; "Constitutiones Militum S. Michaelis sive de Ala" há quem defenda que, até essa data, os cavaleiros da Ordem estavam divididos em dois grupos, um de religiosos e outro de militares, sendo um composto por professos da própria Ordem de Cister, e o outro por capitães e nobres (Doc. 1).  No Volume II (Páginas 418-419) da obra "De Iure Abbatum et Aliorum Praelatorum etc.", (1691), da autoria do Abade Ascanio Tamburinio, encontrase a transcrição do Breve ou Bula Papal de Alexandre III datada de 4 de Janeiro de 1177 e referente ao reconhecimento da "Ordo Equitum S. Michaelis sive de Ala", e outras Ordens Portuguesas.  O mesmo documento refere o ano 1166 como sendo o da data da fundação da Ordem e apresenta a data de 1205 como sendo a do Milagre ou Aparição do braço armado e alado de São Miguel em Santarém.  Como D. Afonso Henriques faleceu em 1185, a data de 1205 certamente faz referência ao Calendário Juliano em uso no Reinado do Rei D. Afonso I e que corresponde ao ano 1147 do Calendário Gregoriano "Ano Domini", só adoptado em Portugal no reinado de D. João I, e que tem 38 anos de diferença da "Era de César".

O Abade Bernardo Giustiniani, no Capítulo XXVIII das suas "Historie Cronologiche dell'origine degl'Ordini Militari e di tutte le Religioni Cavalleresche" intitulado: "Cavalieri dei Ala di S. Michiele in Portogallo" Parte I, Páginas 428-433, (Veneza, 1692), apresenta uma lista de cavaleiros e afirma ter havido vinte e três Grão-Mestres da Ordem (todos eles Reis de Portugal) desde a fundação da Ordem por D. Afonso Henriques, em 1165, até à regência de D. Pedro II (1667).

A obra "The Institution, Laws & Ceremonies of the Most Noble Order of the Garter", de Elias Ashmole (1672), também faz referência à Ordem de São Miguel da Ala no Capítulo II, Página 70: "é uma Ordem Religiosa Portuguesa dedicada a defender a religião Católica, as fronteiras de Portugal dos Mouros e de levar conforto às viúvas e aos órfãos".

Numerosas referências à Ordem de São Miguel da Ala e gravuras semelhantes alusivas ao traje dos Cavaleiros também aparecem reproduzidas em várias obras sobre Ordens, editadas no estrangeiro entre os Séculos XVII e XVIII, constituindo assim prova irrefutável da continuidade e actividade da Ordem desde a sua criação até à época.  Referências à actividade da Ordem entre os anos 1733 e 1912 estão reunidas e documentadas na obra "História da Franco-Maçonaria em Portugal" da autoria do Professor Manuel Borges Grainha.

A principal missão histórica e tradicional dos Cavaleiros da Ordem de São Miguel da Ala foi sempre a defesa da Fé Católica, Apostólica, Romana, a proteção dos membros da Família Real Portuguesa, a defesa da nação, a ajuda aos pobres e a propagação da devoção ao Arcanjo São Miguel em Portugal, terra que o aclamou de Anjo da Paz, e Anjo Custódio da nação ou Anjo de Portugal.

A Ordem de São Miguel da Ala gozou de um certo elevado prestígio no tempo do Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo de Bragança e Bourbon (D. Miguel I)Rei D. Miguel I que, na época conturbada que veio a seguir às Lutas Liberais, a escolheu como organização secreta para defesa da Fé Católica e da Monarquia legítima em Portugal.  Foi já depois de 26 de Maio de 1834 que o exilado monarca, instalando-se em Roma sob a proteção do Papa Gregório XVI, e depois, com a anuência do Beato Papa Pio IX, reestrutura a Ordem, para a partir de 1848 a mesma passar a ser, de acordo com o artigo lº da sua constituição, uma "Ordem secreta, militante e política".  O artigo 2° refere que o objetivo da Ordem, que passou a ser denominada "Ordem Secreta de São Miguel da Ala", era "defender a religião Católica Apostólica Romana e restaurar a legítima sucessão", os Cavaleiros da Ordem podendo até "levantar armas para cumprimento dos seus fins", de acordo com o artigo 4°.

A Grã-Mestria da Ordem, (segundo o artigo 28°), pertencia ao Rei D. Miguel I por direito que era reconhecido pela Santa Sé e, depois de sua morte ou incapacidade, seria continuada pelos seus legítimos sucessores na Chefia da Casa Real Portuguesa da linha Miguelista, ou seja os herdeiros do Trono e da Coroa de Portugal.  A herança do título de "Grão-Mestre Nato da Ordem de São Miguel da Ala" seria sempre reconhecida à nascença do primogénito dos descendentes sucessores de D. Miguel I.

Por ser reestruturada como uma Ordem Secreta, para assim também melhor poder combater como "força politica contra o liberalismo, o modernismo e os outros inimigos da Igreja" das sociedades secretas anti-religiosas, que faziam parte do governo do regime anti-clerical de Joaquim António de Aguiar (o chamado "Mata Frades"), a Ordem mantinha algumas semelhanças a essas sociedades nas suas cerimónias e no numero e graus de seus membros.  Segundo carta de D. Miguel datada de 23 de Junho de 1859, os membros também tomavam nomes secretos de cavaleiros do tempo de D. Afonso Henriques que, segundo a tradição, tinham sido os primeiros membros da Ordem de São Miguel da Ala: D. Egas Moniz, D. Pedro Afonso, D. Gonçalo Gonçalves, D. Pedro Paes, D. Gonçalo de Sousa, D. Lourenço Veigas, etc...

Das poucas actividades organizadas e conhecidas dos Cavaleiros da Ordem no Século XIX só sabemos que apoiavam D. Miguel I e sua família no exílio, contribuindo regularmente com um tributo.

Todos os títulos e direitos da Ordem de São Miguel da Ala passaram exclusivamente e definitivamente para a linha de D. Miguel porque a actividade da antiga Ordem em Portugal, e a investidura com as insígnias como condecoração honorífica, continuavam suspensas desde o reinado de D. Maria II e assim continuaram suspensas pelos reis descendentes de D. Pedro IV até D. Manuel II.

A notícia da restruturação e continuidade da Ordem de São Miguel da Ala e a actividade secreta e militante dos seus Cavaleiros em Portugal só vieram a publico em 1868, já depois de o Rei D. Miguel ter falecido em 1866.  Nessa altura já toda a actividade social, organizada, secreta e militante dos seus cavaleiros tinha sido oficialmente suspensa, em 1859, por decisão de D. Miguel, sendo que a actividade do Mestrado do Porto só terminou em 1861.

O Rei exilado continuou a dispensar as insígnias da Ordem "a titulo honorífico, até ao final da sua vida", mas, como a Constituição e designação de "Secreta" não foi alterada, para estar em conformidade com as exigências da Santa Sé, toda a actividade social, organizada, dos Cavaleiros da Ordem permaneceu suspensa, com a condenação e suspensão de todas as Ordens Secretas, decretada pelo Papa Beato Pio IX, na carta "Syllabus" de 70 erros (1864), e pelo o Papa Leão XIII, na carta "Humanum Genus", contra as sociedades secretas (1884).

A continuidade legal e moral da antiga "Ordem de São Miguel da Ala" comprova-se através da atribuição, uso e registo na Chancelaria das Ordens Dinásticas da Casa Real, de condecorações e títulos concedidos pelos herdeiros Grão-Mestres titulares de D. Miguel I.

Entre os muitos títulos confirmados e ainda apresentados pelos Chefes da Sereníssima Casa de Bragança, descendentes de Sua Majestade Fidelíssima EI Rei D. Miguel I até Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte Nuno de Bragança, continua o de Grão-Mestre Nato da Ordem de S. Miguel da Ala.  O mesmo título também foi herdado, assumido e é apresentado pelo actual Chefe da Casa Real Portuguesa, Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Orleans e Bragança, Duque de Bragança, Guimarães e Barcelos, Marquês de Vila Viçosa, Conde de Arraiolos, Ourém, Barcelos, Faria, Neiva e Guimarães, que é descendente directo dos irmãos monarcas D. Miguel I e D. Pedro IV.  O actual Duque de Bragança é também Grão-Mestre da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

A 4 de Agosto de 1981, houve uma tentativa, por parte de alguns amigos monárquicos, de restaurar, com regulamento reconhecido em Cartório Notarial, a actividade social dos Cavaleiros da Ordem de São Miguel da Ala.  O objetivo era de se proceder à revisão, atualização e alteração da sua Constituição ou Estatutos, insígnias e fins, mas a mesma actividade ficou permanentemente suspensa por ordem do Duque de Bragança e seus Estatutos substituídos em 2001 por Estatutos Canónicos.

Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança (Chefe da Casa Real Portuguesa) Por Decreto de 27 de Outubro de 1986, Dom Duarte de Bragança, publicamente afirmou, para o esclarecimento dos que erradamente achavam a Ordem de São Miguel extinta, que a continuidade da Ordem era mantida pelo título que apresenta de Soberano Grão-Mestre Nato da Ordem de São Miguel da Ala.  A validade do mesmo decreto foi reconhecido pela Santa Sé, que confirmou não haver impedimento Legal ou Canónico para o reconhecimento da existência contínua da Ordem de São Miguel ou para o reconhecimento das Condecorações da Ordem conferidas pelo Chefe da Casa Real.  Deste modo o nome da Ordem foi retirado da lista das Ordens extintas.

Desde então, a Ordem de São Miguel da Ala consta no Livro Oficial de Ordens de Cavalaria, Condecorações da Santa Sé ("Orders of Knighthood, Awards and the Holy See”) e a sua história vem documentada no suplemento ”The Cross on the Sword" publicado desde 1983 por Peter Bander van Duren com a anuência do Secretário de Estado do Vaticano.

A 29 de Setembro do Ano Santo e Jubilar 2000, o Duque de Bragança ordenou a preparação de Estatutos para a criação de uma Real Irmandade para “a preservação da memória e tradições da Ordem de São Miguel da Ala”, a “consagração de Irmãos a São Miguel”, e também para servir de "único complemento ativo e social organizado” para aqueles que tenham sido investidos com títulos e condecorações honoríficas da mesma Ordem e queiram integrar a Irmandade como Irmãos.

Os presentes estatutos, elaborados em conformidade com os Cânones do Código de Direito Canónico aplicáveis às Associações Privadas de Fiéis, receberam parecer favorável das competentes autoridades eclesiásticas e foram aprovados por Sua Alteza Real o Duque de Bragança, a 8 de Maio de 2001.

Em 1191, o Rei Afonso IX de Leão entregou vários povoados aos cavaleiros portugueses de São Miguel da Ala, criando assim uma versão Espanhola dessa Ordem, mais tarde incorporada na Ordem de Calatrava.

Em França, no ano 1469, foi fundada uma Ordem de São Miguel pelo Rei Luís XI.  A Inglaterra também conserva uma Ordem de São Miguel e São Jorge, fundada pelo Rei Jorge IV em 1818.

 

 

 

 Ordem de Alcântara

Ordem Militar de Alcântara

Ordem de Alcântara

 

 Fue creada para defender los intereses del Reino de León en su frontera meridional en peligro debido al fortalecimiento de los musulmanes con los almorávides. Aunque tuvo sus orígenes fuera de los límites de la región actual, estuvo ligada directamente a Extremadura.

    Cuentan que sobre el año 1156, Caballeros de Salamanca a las órdenes de Don Suero Fernández Barrientos, a la sazón en lucha con los musulmanes de Extremadura, recorrían la Ribera del Duero, entonces frontera del reino leones con los musulmanes de Extremadura, con el objeto de levantar una fortaleza en un lugar idóneo. Estando en estos menesteres fueron a dar con un viejo ermitaño, de nombre Amando, que había sido soldado en la Cruzada, que en Tierra Santa había llevado a cabo bajo las ordenes del conde Enrique de Borgoña.

    El ermitaño había levantado una sencilla ermita en aquellos parajes y cuando los caballeros le narraron sus proyectos, el monje Amando convenció a los Caballeros de Salamanca para que alzaran una fortaleza al estilo de las del Temple, junto a la Ermita que él había construido, lugar situado en la ribera del río Coa,  en el reino de Portugal, en las proximidades de Ciudad Rodrigo.

   La fama de aquellos caballeros a cuya cabeza figuraba don Suero Fernández Barrientos se extendió por aquellas tierras y fueron muchos los que vinieron a aumentar el número de los guerreros que constituían la guarnición de la nueva fortaleza. Por consejo del ermitaño Amando, decidieron constituirse en Orden Militar al estilo de las del Hospital y el Temple.

    Un monje del Cister don Ordoño, obispo de Salamanca, les aconsejó que tomaran su regla. Era el Cister una reforma de la Orden de San Benito, hecha a fines del siglo anterior en Borgoña por San Roberto. El obispo don Ordoño hizo venir a algunos monjes para que instruyeran a los caballeros en la Regla. Quedó fundada así la Orden cuyo instituto era la defensa de la fe cristiana, distinguiéndose por entonces con el nombre de Orden de San Julián de Perero, quizás porque este santo era el titular de la ermita de Amando. La aprobación de la creación de la Orden por don Ordoño, fue confirmada por el Papa Alejandro III en el año 1117.

El rey D. Alonso, tomo en el año 1176 bajo su protección con todos sus bienes. Fue declarada nullius diócesis por el Papa Lucio III en el año 1183, poniéndola bajo la custodia directa de la Santa Sede, obligándose la Orden a la defensa de la fe y a la guerra perpetua contra los moros. Los miembros de la Orden se sometían a los tres votos de obediencia, pobreza y castidad perpetua. Sólo tres días de la semana comían carne y otros tres ayunaban desde la Cruz de septiembre hasta Resurrección. Dormían vestidos, guardaban silencio en la iglesia y refectorio.

    Su hábito fue inicialmente el de los monjes del Cister, que por mayor comodidad para las acciones bélicas lo cambiaron y añadieron el escapulario. En 1410 el Papa Benedicto XIII cambió su blasón, anteriormente un blasón de sinople, por una cruz flordelisada y esmaltada de sinople.  Vestían túnica de lana blanca muy larga, escapulario con una pequeña capilla, y sobre él, cuando salían del convento, una capa o tabardo de color negro, que sustituían por un manto blanco en las ceremonias, adoptando como blasón un peral silvestre con las raíces descubiertas y sin hojas sobre campo de oro. Ningún caballero podía recibir los sacramentos sin el manto blanco, que también lo usaban como sudario. El cabello lo llevaban cortado por encima de la oreja y la barba redonda. Cuando por tregua u otra razón, no se empleaban en los menesteres guerreros, permanecían recluidos en el convento, observando como clérigos la Regla.

    La orden de Alcántara fue adquiriendo un gran poder económico debido a la gran concesión de tierras y privilegios que recibieron para su propia defensa, desempeñando un papel importante en los acontecimientos bélicos castellanos de los últimos siglos medievales, en unos casos apoyando al monarca y en otros tomando partido por bandos nobiliarios contrarios al rey.

    Muerto en combate el fundador de la orden, don Suero Fernández Barrientos, le sucedió en el gobierno de la misma, don Gómez Fernández, su compañero de fundación y, según la opinión de algunos, su hermano, con el título de prior. Don Gómez deseaba extender su Orden a Castilla y sabedor de que don Alfonso VIII, preparaba una irrupción en la Extremadura musulmana, le ofreció sus servicios que fueron aceptados. El Maestre y sus caballeros participaron en la contienda y una de las primeras plazas que reconquistaron fue la de Trujillo.

   Vasallo don Gómez del Rey de Castilla asistió a las Cortes de Carrión. Se ignora si don Gómez y sus freires asistieron a la batalla de Alarcos. Perdida aquella batalla por los cristianos, los moros llegaron hasta Toledo, asediándola. En Trujillo resistieron los Caballeros de la Orden que la guardaban, pero su inferioridad numérica les obligó a rendirse. La muerte del primer Maestre don Gómez Fernández debió producirse en el año 1.200, pues en él se eligió su sucesor. 

    Gobernando el rey Fernando II de León, Ciudad Rodrigo, tras ser reconquistada del poder de los moros, estaba siendo repoblada por cristianos, pero estos molestaban con sus incursiones a sus vecinos del reino de Portugal, separado ya de la Corona Leonesa.

    Su rey Alfonso Enríquez envió una expedición de castigo que arrasara Ciudad Rodrigo, confiando el mando de la misma a su hijo y heredero, el príncipe don Sancho. Invadiendo la fuerza portuguesa, las tierras de León talando y devastando todo a su paso, el Prior de la Orden de Alcántara se apresuró a acudir con sus freires y vasallos, dispuesto a defender lo que consideraba su territorio.

    Incorporados los miembros de la Orden al ejército del rey Fernando que acudía a enfrentarse a los portugueses, se trabó la batalla en los campos de Argañán, siendo los invasores derrotados y quedando muertos o prisioneros los portugueses que no lograron escapar con su príncipe.

    Don Fernando no se contentó con esta victoria, decidió dirigir sus armas contra los moros de la frontera meridional de su reino. Traspasada la frontera y después de tomar unas cuantas villas, cayó sobre la de Alcántara, plaza fuerte que, sin embargo no pudo resistir las arremetidas del monarca cristiano, rindiéndose. Toma en combate las villas de Santibáñez y Milana y cae sobre la de Alcántara, a la que ocupa a su vuelta, y la ciudad de Cáceres que da a guardar a los Caballeros de Santiago.

    Los portugueses, queriendo aprovechar la oportunidad de que Fernando andaba ocupado en otras partes, invadieron de nuevo sus dominios, penetrando en Galicia, tomando Tuy y otros castillos, al mismo tiempo que a marchas forzadas se dirigían hacia Badajoz, con el intento de ocupar esta población, sabedor de ello, el rey Fernando, se encaminó a la capital extremeña y en las calles de Badajoz, fueron derrotados los invasores. El rey portugués en su huída, se golpea contra un madero, fracturándose una pierna fracturada, es apresado por los leoneses.

    En todas estas guerras sirvió don Gómez con sus freires y vasallos, pero el Rey no les donó ninguna plaza conquistada, dado que la Orden no tenía todavía rentas ni fuerzas para defenderlo y lo habría perdido. Pero le confió dominio sobre varias villas contiguas a su territorio, en la ribera del Coa, y algunas heredades.

   De nuevo los almohades, entraron en León y pusieron cerco a Ciudad Rodrigo en cuyo auxilio corrió el rey Fernando, apoyado, también en esta ocasión, por don Gómez y sus freires. Los cristianos, aunque inferiores en número, alcanzaron la victoria y a ello contribuyeron poderosamente los caballeros de don Gómez.

   Agradecido el rey por el auxilio de la Orden de Perero, declaró solemnemente que la tomaba bajo su protección y amparo, mediante un Real Privilegio. Esta última afectaba también a las granjas y ganados de los frailes, hecho que indica que, aparte de la función militar, la comunidad estuvo interesada en la actividad agropecuaria desde sus primeros tiempos.

    El Prior don Gómez, se dirigió al Papa Alejandro III dándole cuenta de la existencia de su orden, que tenia la aprobación de los obispos de Salamanca y Ciudad Rodrigo, solicitando las gracias y prerrogativas que otras ordenes análogas tenían concedidas. El Pontífice Alejandro III otorgó lo solicitado mediante Bula el 29 de de Diciembre de 1.177. En este momento la Orden se se extendía ya por León y Extremadura. El Papa Lucio III, la ratificó mediante  Bula el 4 de abril de 1.183, apareciendo por primera vez en ella el nombre de Maestre dado al Jefe o Prelado Supremo de la Orden.

   En algunos documentos de su primera época esta institución también aparece denominada Orden de Trujillo, recibiendo como tal algunas donaciones en territorio castellano.

    La Orden de Alcantara tuvo un papel importante en la conquista y poblamiento del territorio extremeño. Los caballeros de Alcántara intervinieron en la ocupación de Cáceres, Mérida, Badajoz, Medellín y Trujillo. En recompensa, los reyes les concedieron tierras y casas en diversos lugares, y aldeas, villas y fortalezas, especialmente en el partido de la Serena: Benquerencia, Zalamea, Villanueva de la Serena y Magacela

    La villa de Alcántara había sido conquistada en 1213 y entregada por Alfonso IX a la Orden de Calatrava para que se encargase de su defensa. Interesaba mantenerla en poder de los cristianos porque era un enclave defensivo importante que protegía una de las vías utilizadas por los musulmanes penetrar en tierras del reino de León. Pero la fortaleza se encontraba demasiado alejada de Calatrava, lugar donde estaba el convento mayor de esta Orden. En caso de producirse una ofensiva musulmana los refuerzos de tropas no podían llegar con la rapidez deseable. Además, los caballeros de Calatrava también tenían a su cargo la defensa de enclaves fronterizos en el reino de Castilla. Esta circunstancia y el hecho de que tanto esta Orden como la de San Julián pertenecieran al Cister, explican la cesión de Alcántara, en 1218, a los caballeros de San Julián. A partir de este momento añadieron a su nombre el de Alcántara, que con el tiempo al perder el nombre de Perero, se quedó con el de Orden de Alcántara.

    El acuerdo de la donación incluía también la conversión de la Orden San Julián en filial de la de Calatrava. Conservaba la independencia en la elección de su maestre, que podía ser escogido independientemente entre caballeros de los dos hábitos y aquél participaba en la elección del maestre de Calatrava. Pero quedaba sometida a la regla de esta última Orden y era supervisada por ella.

    En 1259, Alfonso X le donó Eljas, aldea perteneciente a la jurisdicción de Coria, aunque hasta 1303 no pasó a poder de la orden. Se benefició de la disolución de la Orden del Temple obteniendo Trevejo en 1312

    Esta sujeción duró de hecho poco tiempo, ya que la Orden de Alcántara defendió su independencia, pero no llego a olvidar por completo la relación que había existido inicialmente entre ambas. En 1318, los caballeros de Alcántara recurrieron al maestre de Calatrava para que resolviera las diferencias que tenían con su maestre, el comendador mayor y el clavero; durante el sitio de Algeciras (1343) falleció el maestre don Nuño Chamizo y Alfonso XI ordenó a los caballeros de Alcántara que continuaran el cerco bajo el mando del de Calatrava, hasta que fuera elegido el de su Orden; y hubo también caballeros del hábito de Calatrava que ocuparon el maestrazgo alcantarino: don Martín López de Córdoba (1364) y don Fernando Rodríguez de Villalobos (1394), que era clavero de Calatrava cuando fue electo de Alcántara.

    La villa de Alcántara y sus alrededores alcanzó gran prosperidad bajo el gobierno de los Maestres. Tenían fábricas de paños, de sayales, de jergas y de lienzos. El comercio se hacía por Lisboa sirviéndose de grandes barcas y veleras, exportando curtidos, calzado, lienzos, granos, ganados, vinos, etc.

    Durante la Reconquista, participaron en numerosas contiendas en las fronteras de los reinos cristianos con al-Andalus. Su victoria más famosa fue conseguida en la batalla de la Higueruela. Cuando había paz o tregua, los caballeros permanecían dentro del convento. Adquiriendo cada vez mayor pujanza, no es de extrañar que no pasara mucho tiempo sin que estallaran las querellas entre Alcántara y el Temple, llegando inclusive al choque armado entre ambas Ordenes.

   Con el Concejo de Realengo de Badajoz mantuvo un largo pleito sobre los límites de sus respectivos términos. Ambos solucionaron las diferencias mediante un pacto (1264) por el que Badajoz renunciaba a las Sierras de San Mamede y San Pedro y a las fortalezas de Mayorga y Piedrabuena, conservando bajo su jurisdicción sólo Azagala. En el término de Cáceres se apropió de Araya en 1436, según atestigua un documento de ese año incluye el lugar en la jurisdicción de la Orden y señala que su incorporación era reciente.

    El patrimonio de la Orden, se encontraba principalmente en el partido de Alcántara, y en La Serena, convirtiéndose en una de las potencias económicas de Extremadura en aquella época. Debido a su poder económico y militar, la Orden desempeñó un papel importante en los acontecimientos bélicos castellanos de los últimos siglos medievales, en unos casos apoyando al monarca y en otros tomando partido por bandos nobiliarios contrarios al rey.

   Los caballeros de Alcántara defendieron a Fernando IV (1295-1312) frente a los infantes de la Cerda, quienes, ayudados por el rey don Dionís de Portugal, querían obtener la Corona de Castilla. Durante la guerra los portugueses ocuparon diversos lugares de la ribera del Coa, entre ellos la fortaleza de San Julián de Pereiro, sede originaria de la Orden. Y la plaza no volvió a ser recuperada porque la reina doña María de Molina, cuando firmó el Tratado de Alcañices (1297), renunció a las tierras conquistadas por don Dionis.

    En las luchas civiles los caballeros de la Orden no siguieron siempre el partido tomado por su maestre. Tras el asesinato de Pedro I (1369), el Maestre y parte de los frailes defendieron los derechos al trono del infante don Fernando de Portugal, mientras que el Clavero y otros caballeros, se unieron a don Enrique de Trastámara. La división de los miembros de la Orden convirtió sus tierras en campo de batalla hasta la firma del Tratado de Alcoutin (1371) entre Castilla y Portugal.

   La guerra por la Corona portuguesa (1381-1385), tuvo importantes repercusiones en las posesiones fronterizas de la Orden. Durante el reinado de Juan II en las luchas protagonizadas por los infantes de Aragón, participó el maestre don Juan de Sotomayor a favor del infante don Enrique.

    Los disturbios que se produjeron en el reino de Castilla en tiempos de Enrique IV (1454-1474) repercutieron vivamente en la Orden, y se plasman en el conflicto que enfrentó al maestre don Gómez de Solís, partidario del infante don Alfonso, con el clavero don Alonso de Monroy, leal al monarca. Éste se hizo elegir maestre en 1472 y, tras la muerte de don Gómez (1473), le disputó el cargo don Juan de Zúñiga. La lucha entre ambos por el maestrazgo forma parte de la guerra civil castellana, en la que se enfrentaron los partidarios de Isabel la Católica con los de la Beltraneja, y terminaron con el reconocimiento de don Juan de Zúñiga como maestre en 1480.

    La Orden no sólo combatió a los invasores, sino que también se mezcló en la política de la época. El Maestre don Gonzalo-Martínez de Oviedo, decimocuarto Maestre, mezclado en las intrigas de Castilla, temeroso de la ira del Rey, se refugió en el castillo de Valencia de Alcántara, con la esperanza de obtener la ayuda del rey de Portugal. Este no llegó y las tropas del Rey escalaron durante la noche las murallas del castillo, cogieron preso al Maestre don Gonzalo, que fue degollado. Continuó la sucesión de Maestres, unos con mejor suerte que otros, hasta llegar al final, un tanto aventurero, de don Martín Yañez de Barbudo. Desastroso fue su final; un ermitaño del Santuario de Nuestra Señora de los Hitos, cerca de Alcántara, llamado Juan de Sayo, que gozaba fama de santidad, le dijo que sabía por revelación divina que habría de tomar Granada sin perder ni un solo hombre.

    El Maestre, concedió crédito al visionario y envió dos escuderos al rey de Granada, mofándose de su religión y retándole a singular combate entre ambos, o entre caballeros que eligiesen, siendo dobles los moros que los cristianos. Los mensajeros fueron presos y maltratados lo que enfureció al Maestre y le empujó a marchar sobre Granada.

    Salió la expedición, llevando delante una cruz y el pendón de la Orden. Llegó a Córdoba donde mentes sensatas quisieron disuadirle de su descabellado proyecto, pero alegó que obedecía por mandato divino, se alborotó el pueblo y hasta se le agregaron cinco mil ciudadanos, confiando ciegamente en la protección de Dios.

    En Egea le mataron tres caballeros y entonces acusó al ermitaño de mentiroso, pero este aseguró que en la batalla resultaría victorioso porque así se lo había revelado Dios. Entretanto, el reino de Granada ya estaba en armas: cinco mil jinetes y más de ciento veinte mil infantes esperaban al tozudo Maestre. Salieron y sorprendiendo a las huestes de don Martín Yañez hicieron tal matanza que fueron pocos los que lograron escapar, pagando, el crédulo Maestre, el crédito concedido al ermitaño.

    El trigésimo sexto y  último Maestre de Alcántara: don Alonso de Monroy, se decantó por el apoyo de los Reyes de Portugal, quizás por proximidad al dicho reino. Encarcelado se fugo de ella, participó durante las luchas civiles entre los bandos de "la Beltraneja" e Isabel "la Católica". Don Alonso de Monroy, hasta su muerte, contando ochenta años, en 1.511, siempre fue afecto a la dinastía portuguesa. Con él terminó la independencia de la Orden de Alcántara, cuyos caballeros tanto y tanto colaboraron a la Reconquista. Su participación en la toma de Granada fue el último hecho de armas de los caballeros de Alcántara como Orden independiente

    Al concluir la Reconquista con los Reyes Católicos, se inició el proceso de la unidad nacional, entre otras medidas incorporaron los maestrazgos a la Corona en 1494. El rey don Fernando obtuvo el maestrazgo en 1494, tras la renuncia presentada por don Juan de Zúñiga.

    La documentación medieval de la Orden, que se conservaba en el convento de San Benito de Alcántara, ha desaparecido, durante la Guerra de la Independencia, sin conocer si fueron propios o extraños los causantes. En el Archivo General de Simancas se conservan documentos sobre la administración de la Orden a partir de 1495, un año después de que el maestrazgo fuera ocupado por don Fernando el Católico.

   La concesión del título de Gran Maestre de las tres órdenes militares a los Reyes Católicos y la posterior vinculación de los Maestrazgos a la Corona por el Papa Adriano VI en su bula de 4 de mayo de 1523, tuvo como consecuencia inmediata un cambio en la concepción tradicional medieval de las órdenes, que perdieron el carácter eminentemente defensivo para el que habían sido creadas y pasaron a convertirse en una importante fuente de ingresos para la monarquía castellana.

    En 1.530, la Orden obtuvo del Papa Clemente VI, la potestad plena para corregir, alterar, limitar y reformar sus estatutos. En 1.540, el Papa Paulo III concedió a los caballeros legos de Alcántara una dispensa relajando el voto absoluto de castidad y libertad para disponer de sus bienes. Sustituyeron el voto de castidad por el de la defensa de la Inmaculada.

    Desaparecida la función primitiva de luchar contra los invasores, la Orden de Alcántara se orientó por otros campos y así estableció un colegio en la Universidad de Alcalá que fue posteriormente trasladado a Salamanca por acuerdo del capítulo celebrado en Madrid en el 1.552.

   Según los informes de los obispos castellanos en 1571, su jurisdicción abarcaba 54 comunidades, más del 12 por 100 de la totalidad de las extremeñas, con un volumen de población de 14.005 vecinos, el 11,5 por 100 del total regional. La circunscripción más importante era el Partido de Villanueva de la Serena, que constaba de 19 comunidades y un total de 5.170 vecinos en ese año.

    Durante los siglos de la Edad Moderna el potencial económico de las órdenes militares, administrado teóricamente por la monarquía, se convirtió en un beneficio de los grupos sociales privilegiados, que aprovecharon las continuas crisis de la Hacienda real para obtener de ellas ingresos muy sustanciosos, primero como arrendatarios de la totalidad de los Maestrazgos; durante el reinado de Carlos V los banqueros alemanes, sobre todo, y más tarde como directos beneficiarios de sus rentas. Muchos lugares se privatizaron, pasando su jurisdicción a los propios vecinos, mediante la obtención de cartas de exención jurisdiccional, o a manos de los señores. Los lugares privatizados de la Orden de Alcántara durante el siglo XVI fueron: Villasbuenas, Arquillo, Acebuche, Brozas y Cabeza del Buey.

    La unidad económica de explotación y de obtención de rentas de una orden militar se basaba en la Encomienda, que al menos hasta la crisis del siglo XVII podía definirse como una explotación agraria autosuficiente con un carácter militar de su fortaleza. Desde entonces se convirtió en una forma de tenencia y de explotación de la tierra, característica de la Extremadura moderna. La Orden de Alcántara contaba con un total de 37 Encomiendas, agrupadas en los Partidos de Alcántara, Brozas, Gata, La Serena y Valencia de Alcántara, cuyas rentas y derechos estaban en manos de miembros de la nobleza y la milicia; que residían en la corte y cuyo papel se limitaba al de meros rentistas, cada vez menos preocupados por el mantenimiento y la mejora de las explotaciones.

    Una encomienda estaba compuesta por los siguientes elementos: un castillo o casa fuerte para su defensa, las casas de los moradores, paneras o trojes para el almacenaje de los cereales, molinos o aceñas donde moler el trigo, un horno para cocer el pan, una cisterna para el aprovisionamiento de agua en caso de incendio, unas caballerizas, un corral para acorralar el ganado extraviado que era prendido por los guardas de la encomienda y, en los alrededores, una huerta con árboles frutales y sistemas de canalización y riego, algunas tierras de sembradura de pequeña extensión y, finalmente, una o varias dehesas de pasto o de pasto y labor.

    La principal fuente de ingresos territoriales que obtenían los comendadores procedía de la explotación de las dehesas y en concreto de su arrendamiento para pasto de los ganados mesteños trashumantes. Cuando las dehesas se labraban, los vasallos de la Orden tenían preferencia sobre los demás para arrendarlas, siempre en condiciones más ventajosas que los arrendamientos de las tierras de particulares. Tanto en las tierras como en las dehesas labradas el pago se efectuaba en especie, generalmente a cambio de una parte proporcional de lo cosechado. Las huertas también eran cedidas en arrendamiento para su explotación.

    Además del cobro de las rentas, los comendadores disfrutaban de una serie de derechos que reportaban importantes beneficios económicos, aunque algunos de ellos eran meramente nominales y en la práctica no llegaron a ejercerse durante la época moderna.

    El derecho más importante que percibía la Orden de Alcántara, por su cuantía económica, era el cobro de los diezmos. El cobro de los mismos dio origen a continuas tensiones, pleitos y sucesivas Concordias que sobre esta cuestión se venían produciendo ya desde el siglo XIII, la primera de que se tiene noticia data del año 1233; tensiones que llegaron a su punto culminante durante el siglo XVI, dando lugar a las Concordias de 1536, 1577, 1591 y 1594 para llegar a un acuerdo definitivo que terminase con mas de tres siglos de disputas, quedando a cargo de la Orden el mantenimiento de las fábricas parroquiales y el sustento de los párrocos en los territorios de su jurisdicción.

    La crisis demográfica y económica del siglo XVII afectó de manera considerable a las encomiendas de la Orden de Alcántara, sobre todo a aquellas más próximas a la frontera con Portugal, que entre los años 1640-1668 y a comienzos del siglo XVIII sufrieron los efectos devastadores de las guerras de Independencia de Portugal y de Sucesión, respectivamente.

   En el año 1653 el convento de San Benito de Alcántara elevó al Consejo de órdenes un memorial dando cuenta de la grave situación en que se encontraba como consecuencia de la guerra. Los efectos más significativos de la devastación causada por la crisis económica y enfrentamientos militares dieron lugar al  abandono de las explotaciones cerealísticas, ruina total de la mayor parte de los viñedos, demolición de casas, corrales y cercados para construir baluartes defensivos y reconversión de las dehesas de pasto y labor en pastizales, situación que se prolongó, al menos, hasta el primer tercio del siglo XVIII, y cuya consecuencia más notable fue la caída de las rentas de los comendadores.

    A partir del siglo XVII un cuerpo de Caballería del Ejército, español despliega en su estandarte la cruz de Alcántara. Fue creado en los Países Bajos por el Maestre de Campo don Juan Francisco Nestien, con ocasión de aumentar las fuerzas de caballería que allí operaban, bajo el reinado de Felipe IV.

    Las acciones de este regimiento se basan en numerosos hechos de armas, hasta culminar en la guerra de la Independencia, donde el tercio de Alcántara luchó en Somosierra, Aranjuez Puente del Madero, Vich, Figueras, Murviedro, Valls y Valencia.

    Hasta la ocupación de los franceses en 1808 poseyó la Orden 35 comendadurías con 53 villas y aldeas, dos conventos de comendadores y un colegio en Salamanca fundado en 1552

    La República suprimió esta Orden en 1873, pero el Rey Don Alfonso XII la restauró, al comienzo de su reinado. Sus dignidades son Gran Maestre, que al igual que en las otras Ordenes lo es el Rey, Comendador Mayor, Clavero, Gobernador eclesiástico del Priorato del Sacro Convento, y los Priores de Magacela, Zalamea y Rollan

 

 

 

 Ordem de Calatrava

Ordem de Calatrava

Ordem de Calatrava 

 

No ano de 1150, Afonso VII de Castela deu aos Templários o Castelo de Calatrava, no rio Guadiana, para o defenderem das arremetidas dos Mouros. Abandonado pouco depois, só no tempo de Sancho III de Castela o castelo voltou a ser ocupado pelo abade D. Raimundo e mais alguns monges que seguiam a regra de Cister. O número de cavaleiros da Ordem aumentou rapidamente, e o Papa reconheceu a Ordem de Calatrava em 1164, tendo alguns frades vindo a radicar-se em Évora. Em 1211, D. Afonso II doou-lhes o lugar de Avis, e pensa-se que, nessa época, a ordem portuguesa de Avis já tivesse um estatuto independente, embora continuasse subordinada à castelhana. O hábito da Ordem é uma cruz floreada de vermelho.

 

 

 

 Ordem de Santiago

Ordem de Santiago

Ordem de Santiago 

 

 A Ordem Militar de Santiago é uma ordem religiosa-militar castelhano-leonesa instituída por Afonso VIII de Castela e aprovada pelo Papa Alexandre III, tornando-a assim uma ordem supranacional, directamente responsável perante o chefe máximo da Cristandade. Apesar disso, os primórdios da ordem são confusos, já que, antes de ser instituída formalmente por Afonso VIII, já o seu sobrinho-neto Fernando II de Leão lhes havia concedido a guarda da cidade de Cáceres, na Extremadura (a qual, no entanto, tiveram que abandonar por haver sido conquistada pelos muçulmanos).

Os Cavaleiros de Santiago, chamados de Santiaguistas ou Espatários (por ser o seu símbolo uma espada em forma crucífera – ou uma cruz de forma espatária, dependendo do ponto de vista), fizeram votos de pobreza e de obediência, mas, seguindo a regra de Santo Agostinho ao invés da de Cister, os seus membros não eram obrigados ao voto de castidade, e podiam como tal contrair matrimónio (alguns dos seus fundadores eram casados). No entanto, a bula papal recomendava (não obrigava) o celibato, e os estatuos da fundação da Ordem afirmavam, seguindo um princípio das cartas paulinas: "Em castidade conjugal, vivendo sem pecado, assemelham-se aos primeiros padres apostólicos, porque é melhor casar do que viver consumindo-se pelas paixões".

Santiago Maior como Santiago Matamouros, envolvido no manto da Ordem. Pintura da escola de Cuzco, século XVII.

Afonso VIII cedeu-lhes Uclés (em 1174), que se tornou a principal sede da ordem – donde, a designação usada nos primeiros tempos para a Ordem como Ordem de Uclés – e mais tarde Moya, Mira Osa, Montiel e Alfambra.

Os Espatários participaram na reconquista de Teruel e Castellón e combateram na batalha de Navas de Tolosa (1212). Os monarcas, primeiro de Leão, depois de Castela, concederam-lhe inúmeros privilégios, para além de lhe darem a posse de extensas regiões, com o intuito de as repovoar, na Andaluzia e em Múrcia.

Durante o século XV, a ordem transferiu o seu campo de actuação para a Serra Morena, e os seus mestres tomaram como residência a povoação de Llerena (Badajoz), proporcionando un grande crescimento na região.

Com o passar do tempo e o fim da Reconquista, a Ordem de Santiago viu-se implicada nas lutas internas de Castela. Ao mesmo tempo, devido aos seus inúmeros bens, teve que, por várias vezes, sustentar as pretensões da Coroa. Por outro lado, sendo o cargo de Grão-mestre de tamanha importância, eram frequentes as lutas entre grandes famílias para alcançar essa dignidade.

Devido a todos estes problemas, após a morte do Grão-mestre Alonso de Cárdenas em 1493, os Reis Católicos pediram à Santa Sé que providenciasse uma forma de acabar com os problemas na administração da ordem, reservando para si mesmos o mestrado da ordem – medida que era ao mesmo tempo uma necessidade e uma recompensa pelos serviços prestados pelos reis de Castela e Aragão ao serviço da fé católica (em 1492 fora conquistado o último reduto muçulmano da Península Ibérica – Granada). Assim, por uma bula de 1493, o papa concedeu aquela dignidade aos Reis Católicos.

Após a morte de Fernando, o Católico, tornou-se grão-mestre da Ordem Carlos I de Espanha; volvidos sete anos, em 1523, o Papa Adriano VI uniu para sempre à coroa de Espanha os grão-mestrados das Ordens de Santiago, Calatrava e Alcântara, tornando-se este um mero título hereditário dos reis de Espanha. Até então, o Grão-Mestre de Santiago era eleito pelo Conselho dos Treze, assim chamado por estarem presentes treze cavaleiros designados de entre os governadores e comendadores provinciais da Ordem.

A Ordem em Portugal

Em Portugal, a ordem começou também a actuar logo desde os seus primórdios, ainda em reinado de Afonso Henriques, mas só teve maior visibilidade a partir do reinado de Afonso II, e sobretudo, Sancho II. Detiveram como sedes o castelo de Palmela e, depois, o de Alcácer do Sal, que se tornou sede da província espatária portuguesa.

Foi mestre comendatário da Ordem em Alcácer o grande Paio Peres Correia, que acabaria por chegar a Grão-Mestre da Ordem, em Uclés, mas não sem antes ter dado um valoroso contributo para a reconquista de Portugal – as suas forças, muitas das vezes lideradas por ele pessoalmente, conquistaram, entre 1234 e 1242, grande parte do Baixo Alentejo e do Algarve (Mértola, Beja, Aljustrel, Almodôvar, Tavira, Castro Marim, Cacela ou Silves); foi também com o auxílio desta Ordem que Afonso III consumou a conquista do Algarve, em 1249, tomando os derradeiros redutos muçulmanos de Faro, Loulé, Albufeira e Aljezur.

Como recompensa, a Ordem foi agraciada, em territórios portugueses, com várias destas terras do Alentejo e do Algarve, com a missão de as povoar e defender. A isso não é alheio, ainda hoje, o facto de muitas delas terem por orago Santiago Maior, e de nas suas armas figurar a cruz espatária.

Chamada mais tarde de Ordem de Santiago da Espada, constituiu-se em ordem honorífica em Portugal, da qual o chefe do Estado português se constitui o Grão-Mestre. 

 

 

 Ordem de Avis

Ordem de Avis

Ordem de Avis 

 

 O Reino de Portugal, fundado na primeira metade do século XII, não foi apenas contemporâneo das Cruzadas do Oriente, mas conduziu a sua própria guerra de cruzada contra os Mouros - a chamada Reconquista cristã. Nesse contexto, nasceram na Península Ibérica ordens religiosas autónomas, de carácter supranacional, destinadas a expulsar os muçulmanos do território - paralelamente às ordens nascidas na Terra Santa, como os Templários ou os Hospitalários.

Entre as ordens de carácter ibérico, destacam-se a Ordem de Santiago, a Ordem de Alcântara e a Ordem de Calatrava. Esta última, fundada em 1158 com o auxílio do rei Sancho III de Castela, foi logo confirmada por bula papal, adoptando a regra de São Bento e a Constituição da Ordem de Cister. Da Ordem de Calatrava viria a nascer, como braço autónomo no reino de Portugal, a futura Ordem de São Bento de Avis.

Por seguirem a regra beneditina, daí advém a origem do hábito das ordens de Calatrava e Avis - branco, com uma cruz flordelisada (vermelha, no caso da Ordem de Calatrava, e verde, na de Avis). De igual modo, o estabelecimento dessa regra impedia os seus membros de se casarem (ao contrário de outras ordens religiosas militares, cujos membros eram leigos). Contudo, o concubinato era bastante comum, o que levou a que o Papa Alexandre VI (em 1402) tolerasse o casamento, como forma de prevenir eventuais concubinagens e desregramentos da vida conventual.

Afonso I de Portugal, viria a ocupar Évora cerca de 1165, e cerca de 1175 doaria bens na cidade, intramuros, aos frades de Calatrava instalados em Portugal - donde o primeiro nome dessa milícia em solo lusitano: os freires de Santa Maria de Évora ou milícia de Santa Maria de Évora - afim de a povoarem, desenvolverem e organizarem.

Inclusivamente, o nosso primeiro rei viria a conceder a um seu filho ilegítimo, Pedro Afonso, o cargo de primeiro mestre dessa ordem em solo português.

Embora os Freires de Évora mantivessem a obediência que deviam ao seu prior em Castela, cedo porém ganhou foros de «ordem nacional», sobretudo a partir do momento em que se deslocam para o lugar de Avis, que lhes fora doado em 1211 pelo rei Afonso II.

Por volta de 1363, o rei Pedro I de Portugal entrega o mestrado da ordem ao seu bastardo João, filho do relacionamento com uma dama galega de nome Teresa Lourenço. Seria este mesmo João que, após a morte de Fernando, viria a congregar inúmeros apoios na luta contra Beatriz de Portugal, a legítima herdeira do trono, vencer o rei castelhano João I em Aljubarrota e a ser declarado rei pelas Cortes de Coimbra de 1385.

A ascensão de D. João, Mestre de Avis, ao trono de Portugal, ditou, por um lado, a integração do mestrado dessa ordem na Coroa de Portugal (sendo nomeados ou membros da família real, ou nobres da inteira confiança do monarca, como foi o caso do primeiro grão-mestre após D. João, Fernando Rodrigues de Sequeira), e por outro, um maior afastamento face à Ordem de Calatrava; após 1385, os cavaleiros da Ordem recusaram-se a reconhecer o grão-mestre castelhano, Gonçalo de Guzmán, como seu superior. Isto conduziu inclusivamente a problemas junto do Papado (a que se juntava o posicionamento de ambas as coroas durante o Grande Cisma do Ocidente, com João I de Portugal a apoiar o Papa de Roma, e João I de Castela, o cismático de Avinhão), apenas resolvidos definitivamente com o concílio de Basileia-Ferrara-Florença (1431).

Por outro lado, a subida ao trono de um mestre de Avis levou a que lhe fosse concedida dispensa canónica para celebrar casamento, já que, ao abrigo da regra beneditina que a Ordem de Avis seguia, os membros da dita ordem professavam voto de castidade.

Com a subida ao trono de João I de Portugal reacende-se a chama da guerra de cruzada, há muito perdida em Portugal; as conquistas no Magrebe conduzem as ordens religiosas a novas paragens. Assim, os cavaleiros de Avis (bem como os de Cristo, a outra ordem nacional portuguesa) estarão presentes na conquista de Ceuta (1415), bem como no falhado ataque a Tânger (1437), no qual ficou detido (e acabou por morrer em cativeiro com fama de santidade) o infante D. Fernando, o qual era então mestre da Ordem desde 1434. Por sua morte, em Fez, em 1443, passou o mestrado para as mãos do filho mais velho do regente Pedro, Duque de Coimbra, também chamado Pedro (o qual viria a ser, por breve período, rei de Aragão).

A ordem foi depois herdada pelo príncipe D. João (futuro João II de Portugal), pelo seu filho ilegítimo Jorge de Lencastre, e, por morte deste, em 1551 (reinado de João III de Portugal), o grão-mestrado da Ordem de Avis foi incorporado perpetuamente à Coroa, perdendo todo o seu carácter religioso. Nesse mesmo ano, o Papa Júlio III viria permitir que os seus membros pudessem dispor livremente dos seus bens (contrariando também o voto de pobreza feito pelos seus membros). Por esta altura, o único critério que passou a ser necessário para a admissão na Ordem era a pertença ao Estado da Nobreza, o que foi confirmado por um decreto de 1604.

Em 1 de Agosto de 1789, a rainha Maria I de Portugal, com o auxílio do Papa Pio VI, tentou reformar a ordem de Avis, mas acabou apenas por secularizá-las - as três ordens - (Avis, Santiago e de Cristo), embora tivesse mantido o grão-mestrado integrado ainda à Coroa. Desta secularização radicou o nascimento da Banda das Três Ordens (uma faixa tripartida de púrpura, vermelho e verde, representando respectivamente as Ordens de Santiago, Cristo e Avis), com a qual foram desde então agraciados os chefes de Estado portugueses (reis ou presidentes) quando da sua subida ao poder, como símbolo da magistratura que exercem.

A ordem foi também levada para o Brasil, pelo príncipe regente D. João e, em 1834, o regente D. Pedro, Duque de Bragança, em nome da jovem rainha Maria II, aboliu completamente a ordem. Esta, contudo, viria a ser restaurada em 1894, durante o governo de Hintze Ribeiro, com o carácter de ordem honorífica que ainda hoje mantém, destinando-se a condecorar personalidades militares.

Novamente extinta em 1910 (em conjunto com as demais ordens), pelo Governo Provisório da República Portuguesa, que julgava a atribuição de ordens algo próprio do carácter de não-igualdade social da Monarquia, foi restaurada (de novo também com as honoríficas Ordem Militar de Cristo e a Ordem de Sant'Iago da Espada) em 1918 por Sidónio Pais, no quadro da Primeira Guerra Mundial (julgou-se então ser oportuno condecorar os militares que se haviam distinguido nas campanhas contra os Alemães em Flandres, em Angola e em Moçambique - isto muito embora o próprio Sidónio fosse contra a participação de Portugal na guerra).

Após o seu assassinato em Dezembro desse ano, não se voltou ao statu quo ante; o regime das ordens foi depois regulamentado, já durante o Estado Novo (1962), e mais recentemente, em 1986, quando se definiu as atribuições de cada ordem e o seu regime de concessão, em exclusivo, por iniciativa do Presidente da República, Grão-Mestre das Ordens. Assim sendo, a Ordem Militar de Avis ficou destinada a premiar serviços militares de excepcional relevo, sendo apenas atribuída a quadros das Forças Armadas e/ou militarizadas (isto é, da Guarda Nacional Republicana, GNR e da Guarda Fiscal), bem ainda como a corpos ou unidades militares, a título colectivo, podendo a condecoração ser efectuada em vida ou postumamente.

A insígnia desta Ordem é originalmente composta por uma cruz latina verde, flordelizada. No Brasil, fita e banda verde, com orla vermelha. Por fim, divide-se a atribuição do título da ordem nos graus de cavaleiro (ou dama), oficial, comendador, grande-oficial e grã-cruz.

Com a subida ao trono do Mestre de Avis, a ordem iniciou o seu processo de anexação à Coroa, designando o monarca o administrador da mesma.

Desde 1551, com a incorporação do mestrado da Ordem na coroa que o cargo de Grão-Mestre é desempenhado pelo chefe de Estado Português.

 

 

 

 Insígnia dos Grão Mestre dos Cavaleiros Teutônicos

Ordem Militar dos Cavaleiros Teutônicos

 Insígnia dos Grão Mestre dos Cavaleiros Teutônicos

 

 A Ordem Teutônica (Alemão: Deutscher Orden; Latim: Ordo Domus Sanctæ Mariæ Theutonicorum) foi uma ordem militar cruzada, vinculada à Igreja Católica por votos religiosos pelo papa Clemente III, formada no final do século XII em Acre, na Palestina. Usavam sobrevestes brancas com uma cruz negra.Cavaleiro Teutônico

Após a derrota das forças cristãs no Oriente Médio, os cavaleiros mudaram-se para a Transilvânia em 1211, a convite do Rei André II da Hungria, onde fundam a cidade de Kronstadt (atual Brasov, na Romênia) mas foram expulsos em 1225. Transferiram-se então para o norte da Polônia, onde criaram o Estado independente da Ordem Teutônica. A agressividade da Ordem ameaçava os países vizinhos, em especial o Reino da Polônia e o Grão-Ducado da Lituânia. Em 1410, na Batalha de Grunwald (Tannenberg), um exército combinado polaco-lituano comandado pelo rei polaco Ladislau II Jagelão derrotou a Ordem e pôs fim a seu poderio militar. O poder da Ordem continuou a declinar até 1525, quando seu Grão-Mestre, Alberto de Brandemburgo, converteu-se ao luteranismo e assumiu o título e os direitos de Duque hereditário da Prússia (embrião do Reino da Prússia, catalisador do futuro Império Alemão). O Grão-Magistério foi então transferido para Mergentheim, de onde os Grão-Mestres continuavam a administrar as consideráveis posses da Ordem na Alemanha. Em 1809, quando Napoleão determinou a sua extinção, a Ordem perdeu as suas últimas propriedades seculares, mas logrou sobreviver até o presente.No decreto papal emitido por Pio XI a 21 de Novembro de 1929 transformava os cavaleiros teutónicos numa ordem clerical composta por sacerdotes, padres e freiras.Atualmente, trabalha primordialmente com objetivos assistenciais. A cruz teutónica está na origem da célebre "cruz de ferro" utilizada nas forças armadas alemãs, ainda em uso.

 

 

 

Ordem Militar de Cristo

Ordem Militar de Cristo

Ordem Militar de Cristo

 

 No ano de 1311 foi extinta a ordem dos cavaleiros do Templo, por sentença que, a instancias de Filipe, o Formoso, rei de França, deu em privado consistório o papa Clemente V. A ordem militar dos Templários florescera por espaço de dois séculos com excelente fama de valor, e piedade, empregando-se já na defesa dos lugares santos de Jerusalém, já no agasalho dos peregrinos que da Europa iam visitar os mesmos lugares. Os motivos de uma tal resolução pontifícia deram grande variedade de opiniões nos diferentes autores, pelo que, com certeza, se não podem indicar precisamente. Sendo geral a extinção da ordem do Templo, não o foram as culpas dos cavaleiros, porque os de Portugal, como os de Castela e do Aragão, justificaram com evidentes provas a pureza dos seus procedimentos, e foram julgados livres dos delitos, que se atribuíram aos de França, onde se dizia que eram comuns a toda a ordem, cujas rendas se incorporaram na coroa do mesmo reino, o que é tido como claro indicio de que Filipe, o Belo, excitara ao pontífice com falsas informações e indignas violências, a extinguir aquela ordem. Em Portugal, como em Espanha, procedeu-se com um nobre desinteresse e uma generosa cristandade. D. Diniz, que então reinava, podendo acrescentar o património real com as propriedades dos Templários, quis antes fundar com elas outra ordem. Constitui este facto, além disso, una hábil resolução do soberano, que diplomaticamente soube conservar as riquezas duma ordem extinta, para as passar a outra. Alguns autores afirmam que a cúria romana queria, com fúteis pretextos, apoderar-se das enormes rendas dos templários em Portugal (como o fizera noutros reinos) mas D. Diniz, política e patrioticamente, lhas subtraiu, criando em 14 de Agosto de 1318 a ordem de Cristo e dando-lhe esses rendimentos. Com a sua autoridade o sumo pontífice João XXII expediu então a sua bula de 14 de Março de 1319, confirmando aquela instituição. Além dos bens que ficaram dos templários, doou também o rei à nova milícia a vila e fortaleza de Castro Marim no reino do Algarve, dispondo que nela se estabelecesse o convento da ordem, donde, assim por mar como por terra, podia fazer guerra aos moiros de Marrocos e Granada, que inquietavam os nossos mares, e persistiam na teima de invadir e conquistar de novo toda a Espanha. O primeiro mestre que teve a ordem foi D. Gil Martins, que o era então da cavalaria de Avis, e vinha nomeado pelo papa, querendo que entrasse logo na de Cristo mestre que houvesse militado debaixo da regra de S. Bento e reformação de Cister, para instrução dos novos professores, sujeitando-a outrossim à visitação dos abades de Alcobaça, de que só foi isenta por outra bula de Paulo 111, expedida em 1542, no reinado de D. João III. Fez o mestre D. Gil as primeiras Constituições da ordem em 1321; cinco anos depois fez outras o segundo mestre D. João Lourenço, e assim foram continuando seus sucessores, aditando e inovando as coisas conforme o tempo requeria, todas as quais confirmava o abade de Alcobaça, como visitador e reformador desta religião, até que cm 1443, sendo governador da ordem o infante D. Henrique, o primeiro e principal ampliador dela, se procedeu à sua reformação por breve que impetrou do papa Eugénio IV. Aos estatutos que então se fizeram para observância da ordem, e modo de vida dos cavaleiros, acrescentou depois el-rei D. Manuel outras definições, por onde a mesma lhe ficou devendo a legislação e direcção religiosa com que se governava. Corria o ano de 1356 quando o mestre D. Estêvão Gonçalves Leitão, quarto cru ordem dos desta cavalaria, fez a mudança do convento de Castro Marim para Tomar, vendo que aquela vila era de pouca povoação, e que a ordem não tinha cabedal para a povoar e fortalecer como convinha. As razões mais congruentes e verosímeis que a isso o moveram foram sem duvida o ter sido Tomar convento e cabeça da ordem do Templo, estar esta vila situada no coração do reino, donde podiam os mestres acudir a tudo o que tocava à ordem; assim como pela disposição do sítio e capacidade do edifício, em que se podia acomodar tudo quanto convinha a uma religião de tanta estimação e valia. Deste tempo em diante ficou sendo Tomar cabeça da ordem militar de Cristo. Contando do primeiro mestre D. Gil Martins até D. Lopo Dias de Sousa, sobrinho da rainha D. Leonor, teve a ordem sete, que foram em rigor mestres e cavaleiros estreitamente professos desta religião. A este ultimo sucedeu o infante D. Henrique, duque de Viseu, que foi o primeiro que administrou a ordem com o titulo de governador e administrador dela, não querendo fazer profissão com o voto de pobreza por não perder o ducado e mais senhorios que lograva. Com o mesmo título de governador lhe sucedeu seu sobrinho o infante D. Fernando, irmão de el-rei D. Afonso V, e a ele seus três filhos D. João, D. Diogo e D. Manuel, o qual conservou o governo da ordem em todo o tempo do seu reinado. Por sua morte a administrou el-rei D. João II por bula do papa Adriano VI, até que por outra de Júlio III, expedida em 4 de Janeiro de 1551, lhe foi conferida, e a todos os seus sucessores na coroa, ainda que fêmeas, a administração perpetua dos mestrados das ordens militares do reino O hábito dos cavaleiros da ordem militar de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma cruz vermelha, quase quadrada, fendida no meio com outra branca dado que a alguns autores pareça que esta insígnia fosse a mesma que a do Templo, notoriamente é diferente, porque a dos Templários era toda vermelha, e a de Cristo consta daquelas duas cores; nem é crível que o papa lhe permitisse a insígnia da cavalaria que o seu antecessor extinguira, ordenando que de todo se perdesse a memória dela. Não só teve a ordem de Cristo um considerável património dentro do reino, senão que se estendia a sua jurisdição a todas as conquistas de Portugal, de que foi devedora ao imortal infante D. Henrique, o qual depois que se recolheu da conquista de Ceuta, em que teve grande parte, concebeu logo em seu ânimo pensamentos de descobrir e ganhar novas terras, sendo as ilhas de Porto Santo e Madeira as primícias de tão laboriosos cuidados. Por falecimento de D. João I, seu filho e sucessor D. Duarte, respeitando os dispêndios grandes que o infante seu irmão havia feito no descobrimento, povoação e culto destas ilhas, lhas doou por tempo de sua vida, concedendo à ordem de Cristo a perpetua jurisdição espiritual delas. Nos mais descobrimentos e conquistas, que se principiaram debaixo do estandarte da ordem, e com os cabedais do infante D. Henrique, reconheceu o reino o que devia a esta cavalaria; e assim com muita razão todas as armadas que saíam para as nossas possessões ultramarinas levavam os estandartes das armas reais assentes sobre a cruz da ordem de Cristo, reconhecendo que a ela era devida aquela herança, por onde a capitania da Índia não só em seus próprios mares, mas nos de Portugal, tinha preferência ás capitanias reais, não obstante que o cargo de general da armada real de Portugal era preeminente ao de capitão-mor da Índia. Os reis, como tinham esta milícia por sua, a honraram e enriqueceram mais que a nenhuma das outras, dando-lhe 21 vilas e lugares e 454 comendas, em que entravam 45 que se proviam pela Casa de Bragança. Quanto ás dignidades da ordem, a primeira e principal, depois do mestre, era o prior-mor, que tinha jurisdição no espiritual e temporal do convento, exercitando o poder espiritual não só com os clérigos residentes na casa mas com os cavaleiros que viviam separados dela. Ao Dom prior do convento de Tomar pertencia chamar por cartas a capítulo geral para nova eleição de mestre, a quem tomava o juramento de fidelidade e obediência ao papa. A segunda era o commendador-mor, que presidia na ausência do prior, e por falecimento do mestre, no interim da vacante, lhe pertencia governar a ordem. Seguia-se o claveiro, cujo ofício era ter as chaves do convento quando os cavaleiros viviam em comunidade, e ao qual competia distribuir o mantimento É tomar conta dos gastos que se faziam. A quarta dignidade era o sacristão-mor, a quem pertencia em capitulo ter os selos da ordem. A quinta e última dignidade era o alferes, que levava a bandeira nas procissões e em todos os actos de guerra em que ia o mestre. D. Maria I, reformando as três ordens militares por sua carta de lei de 19 de Junho de 1789, estabeleceu entre outras disposições as seguintes: Depois do grão-mestre e do comendador-mor as dignidades serão gradualmente os grã-cruzes, os comendadores e os cavaleiros. Nenhum será grã-cruz sem ser comendador promovido a grã-cruz. Pela mesma lei foram as insígnias de grã-cruz e comendador de cada uma das três ordens militares aumentadas com um coração, em memória do monumento ao Santíssimo Coração de Jesus que a mesma soberana pretendia estabelecer. Os cavaleiros teriam a sua venera como mandavam os antigos estatutos da ordem. Os atuais distintivos da ordem são na forma indicada da cruz vermelha aberta em branco, e a fita encarnada.

Bibliografia: 

Compendio da regra e definições dos cavalleiros da ordem de Nosso Senhor Jesus Christo, com alguns breves pontificios e privilegios reaes, etc., por fr. Damião das Neves, Lisboa, 1607; Noticia historica das ordens militares e ci­vis portuguezas, etc., por Aleixo Tavano e José Augusto da Silva, Lisboa, 1881; A Ordem de Christo, por J. Vieira da S. Guimarães, Lisboa, 1901.

 

 

 

 Insígnia da Ordem da Jarreteira

Ordem da Jarreteira

Insígnia da Ordem da Jarreteira

 

 É uma ordem militar criada por Eduardo III de Inglaterra. Supõe-se que tenha sido criada para destacar os esforços da Inglaterra nas subsequentes cruzadas para conquistar a Terra Santa.

Na lenda associada à criação desta Ordem, Eduardo III estava bailando com a condessa de Salisbury numa grande festa da corte, quando esta deixou cair a sua jarreteira (liga). O rei apanhou-a do chão e, ao devolvê-la, reparou que os presentes os fitavam com sorrisos e murmúros. Irado, exclamou: «Honni soit qui mal y pense» ("maldito seja o mal pensado"), complementando que tornaria aquela pequena jarreteira azul tão gloriosa que todos a haveriam de desejar. Sendo esta história verdadeira ou não, a Ordem da Jarreteira foi, de facto, criada por Eduardo III, o seu símbolo é uma jarreteira azul escuro, de rebordo dourado, em que aparecem inscritas, em francês, as palavras ditas pelo rei.

Outra possibilidade é que a Ordem tenha tomado o seu nome do pendente ou jóia mostrada tradicionalmente nas representações de São Jorge. A insígnia da Ordem inclui um colar e uma insígnia pendurada, conhecida como Jorge, de ouro e esmalte, em que aparece São Jorge a cavalo, matando o dragão. Ainda existe uma segunda medalha, conhecida como Jorge menor.

O monarca reinante da Grã Bretanha (o grão-mestre) e o actual Príncipe de Gales são sempre membros, juntamente com outros 24 membros e 26 cavaleiros ou damas-companheiras. Os cavaleiros são nomeados a 23 de Abril, dia de São Jorge, e o dia está associado com uma rosa vermelha, embora a cor de São Jorge seja azul, e é tradição vestir algo azul para a cerimónia. Nessa ocasião, deverá usar-se a jarreteira na perna esquerda, logo abaixo da cintura.

Os antigos arquivos da Ordem foram destruídos pelo fogo, embora se pense que em 1344 ou 1348 o rei Eduardo III tenha proclamado São Jorge como patrono da Inglaterra. Apesar do seu culto ter sido proíbido à época da reforma, a capela de São Jorge, em Windsor (completada entre 1483 e 1528) manteve-se como sede da Ordem.

 

 Insígnia da Ordem MIlitar de Montesa

Ordem Militar de Montesa

Insígnia da Ordem MIlitar de Montesa

 

Esta Ordem de Cavalaria de Nossa Senhora de Montesa foi fundada na Espanha no reinado de Don Jaime II de Aragão e aprovada pelo papa João XXII em 1317. Seu objetivo era combater aos mouros que invadiam com freguência as costas valencianas. Tudo começo em quanto a Ordem dos Templários foi extinta em 1312. Então o rei Don Jaime de Aragão pediu ao papa que cedesse todas as rendas dos Templários para seu reino porque com elas poderia erigir uma nova Ordem Militar. O papa era Clemente V e não aceitou a petição do rei, mas o papa seguinte João XXII aceitou a proposta.

A primeira assembléia foi celebrada na Presença de Dom Jaime II, que na ocasião se achava com sua corte na cidade de Barcelona. Foi estabelecido então que a sede principal da Ordem seria a Vila de Montese (antes pertencente aos Templários) de onde a Ordem pegou o nome.

Os primeiros a entrar na Ordem de Montesa foram dez Cavaleiros de Calatrava. No princípio o emblema era uma cruz em forma de espada, mas em 1400, quando a Ordem Militar de San Jorge de Alfama foi incorporada à Ordem de Montesa, a insígnia mudou para uma cruz plana colocada sobre uma outra cruz com pontas em flor de lis.

Essa cruz era ontentada no peito e nas costas (lado esquerdo) no manto branco no uniforme dos Cavaleiros de Montesa.

Assim como as outras ordens ela foi incorporada à coroa, mas levou-se em banho-maria até o reinado de Don Felipe II em 1587. Desde sua incorporação à coroa, passou a ser uma corporação meramente nobre.

 

 

 Insígnia da Ordem de São Lázaro

Ordem  dos  Hospitalários  de  São  Lázaro

Insígnia da Ordem de São Lázaro

 

Esta  foi  a terceira  das Ordens  Militares  nascidas  em  Jerusalém.

Acredita-se que  a  Ordem  dos  Hospitalários  de  São  Lázaro  tenha  origem  num  antigo hospital  para  leprosos,  dirigido por gregos  e  armênios,  ainda antes da Primeira Cruzada,  adquirindo  status  independente  depois  de 1120.

Diz uma  tradição  que  os  primeiros  mestres  desta  Ordem  eram  leprosos,  doença  terrível,  particularmente  comum  na Palestina.

As  Regras  dos Templários  e  dos  Hospitalários  estabeleciam  que um  Cavaleiro, contraindo a  doença,  deveria  transferir-se  para  a  Ordem  de  São  Lázaro,  envergando  seu  manto  negro sem adorno.

Os Cavaleiros  de São  Lázaro  nunca  foram  muito  numerosos  e tinham  apenas  um  punhado  de Cavaleiros  não  leprosos para  proteção,  embora, sem  dúvida,  em  tempo  de  crise,  os  Cavaleiros  portadores  da  doença  também  pegassem  em  armas.

Um  pequeno contingente lutou  bravamente  na desastrosa  batalha  de  Gaza,  em  1244.

Após  a  queda  de Acre,  em 1291,  a  Ordem  de  São Lázaro abandonou  suas  atividades  militares, continuando  com  sua  função  hospitalária  até  1342.

Depois  disso, teriam  uma  existência  apagada  até  o  período da  Renascença,  quando  foi  revivida  na  França.

O  ramo  francês,  denominado  Ordem de Nossa  Senhora do  Monte  Carmelo  e  de  São  Lázaro, foi  incentivado  por  Louis  XIV,  o  Rei  Sol, chegando  a  ter  mais  de 140  comendadorias.

 Nessa  Ordem  o  célebre  Michael  Andrew  Ramsay   foi  feito  Cavaleiro,  envergando  a  túnica  branca, bordada  com  uma  cruz  púrpura  e  verde.

 

 

 

Todos os fatos e conclusões aqui expostos são direitos reservados de seus idealisadores.

 

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